3.5.10

Broken Sun Grove

The light is softer than before, it flattens all traces left by those who once showed him the way. At this point the earth is one with the sky. It's just like a surreal walk through a pathway at dawn, a ballerina leaping over hopping frogs. Lost in the infinite the beauty they expected to take over.

As she walks away, her shadow is trapped, it no longer follow her steps, the bond that connected them is gone. The sun redraws its path trying to fix the strangeness - too late - she will never look different. Blue or gray, blueish gray. The silhouette stands up, taps his back, the girl grows even more pale. Nothing more links him here, he unplugs his Lego legs. An enormous dove the girl rides to forgetful land, 1, 2, 3 she counts, she makes sure all her fingers are there, 4,5; 1, 2, 3, 4 5. He finally sleeps.

A realization strikes her mind “my words have become electricity”. She's not satisfied, she wants vibration. Fingertips are tired, fingertips are tired. She wants vibration. He wraps his body around her , shivering she is. She wants vibration. The feather she holds on to loosens up, in the mirror a flat face - her hero. She's falling, he no longer has legs. It's only hers, that's what she's got. Not even vibrations make her feel, “My words are energy”. He emptied a bowl, he is still thirsty.

A revolution is completed, two more he finds freedom. The ballerina uncovers the truth, multicolored vinyl record, needles on her feet she's got. She skates his life towards the center. A couple in the middle dances a waltz, the ballerina never stops. Revolving, revolving.

A word she says, time stops. He can finally catch the ballerina, at least he thinks. As he approaches the ballerina opens her eyes, he freezes, he is unable to move and see her at the same time, he is unable to breath or think, there's no time. Soon he realizes the ballerina is untouchable, she's always one instant ahead. Colors on the grooved ground, on the other side, future and past together. Reality is stable. The girl faints - her childhood is gone.

The greatest ballet ever performed, tiptoeing scratching feet, sharpness. What is written cannot be changed. He dances head standing, he screams, “I'm an animal!”. Fighting is hopeless, the girl fears to her bones, what comes next has been already done.

A woman now, she must behave accordingly, the world is real. The broken wing gives place to another, the melody seems to have rhythm. He finds his way out of the contrastless maze, time to go home. There's no time left, there's no home.

The crippled bastard crawls into his grave, at the bottom a slit is dilated, light and color come out of there, green, white and blue everywhere. It was nothing but a dream, troubled his vents blow steam. She holds her hero's hand, she cries as she can't stand. In that pain room, love once again blooms.

3.1.10

vento - beta caroteno, polído e esguio - carbono, polietileno.

vento:
uma brisa sopra lento - um pedaço de céu que move no intento
de trazer perto o menino que dorme ao relento.
vento.
ela vem e me traz o tormento; cura pro meu mau eu mesmo invento,
é aquela moça que morde este corpo sardento.
vento!
então eu digo, repito e saliento, minha bela, não sou um jumento,
sou homem, menino e por você não lamento.
vento?
leve-a para longe do meu pavimento; contudo, se ela faltar, eu me adoento,
então, qual será a vontade que na verdade ostento?

21.12.09

Fosco desgosto

minha bela é ordinária
dela nada irradia
então a faço imaginária
construo fantasia

em seu rosto desenho linhas
uma atrás d'outra em harmonia
ponho em diferente casinhas
para que assim acabe a agonia

mas seu fosco desgosto
um julgar como nenhum outro
retorna dos mortos, a ironia
pr'esta desafinada sinfonia

toda essa euforia, na distância a agonia
do outro lado daquela imensa bacia
ele se perguntava, algo mais haveria?
o quê mais suas largas costas suportaria?
o que me quebra é a lembrança,
é a falta dela.
fragmentos do mundo que não existe mais
e minha memória falha,
entalha e retalha a vida em fractal.
quase chego a lembrar,
dá-me o um frio na barriga ao ponderar
significa que nao é mais?
ja passou? como é capaz?
Tudo está para trás.
retrato parcial
e parcelando, memorizando
o tempo, aquele que permite, omite, demite e hepatite.
Pois esta é uma pergunta, ainda mesmo que soe absurda, quem se esconde atrás dessa cortina, veste saia ou bermuda?
Talvez sejas tu o freguês? Aquele que ama comprar outra vez, do palco agradecem tua preferência e tu pagas com tua paciência.
És tu o gago, que um dia um tanto fúnebre, amaciou os ouvidos com ruídos ou és tu a moça alegre, que riscou os canais com maciez serelepe?
O que muda, sua muda e cresce, ao relento, quase que desatento, na muda o intento, esta não desmerece, apenas floresce.
A brincadeira, no entanto, não espero ser ligeira, portanto, durma em sua banheira, pode enche-la com água de torneira, pois a derradeira sempre acontece.

21.5.09

Este fervor é apenas efervescência, é química - assim diz a ciência.
Para o ator o que vale é aparência, pr'o químico, (am)bivalência.

14.7.08

Respondo ontem a pergunta de hoje e falo sobre hoje como se fosse amanhã. Sendo hoje ontem e amanhã, não sou ninguém. Sou imbecil, parafernália. Sou Gandhi e Hitler. Sou filho e pai, sou rosa e espinho. E para você, quem pensa que existir é ser, digo que sou, mas não existo, nem um sopro de mim sobra sobre, nem um grão da semente que me criou quero. Pois meu fruto não será, não existirá além do que já é hoje e a história não se repetirá, porque ela apenas é nada.

13.7.08

Conquista

Irá libertar-me desta roda gigante, da falta de novidades, da repetição de ser aquilo que já fui? Deixará de ser ranzinza, embriagado pela vontade de vencer, levando legiões com você?
Pensa que é caminho, pensa que é pai do tempo. Pois sim, é pai do tempo, mas caminho não há quando não se chega a lugar algum. Irá me libertar? Pois, Epifania, senhora sua mãe, naquele dia me cochichou, suspirou balbucias de realidade venenosa e de áspera realização. Dentro dos meus poros ouvi e vi, o que de mim escondia: o último suspiro seguido pelo primeiro berro. Agora, impotente, vejo-me arrastando tudo aquilo que já fiz, como um demente, sem ação e nem dentes.
Porém, você, que é louco pela ironia, no seu sofá, assistindo à novela do meu dia, fingi agora ser bom e fiel, amoroso, um mel - o santo e o seu criado. Cobre-me de beijos, lambe o meu pescoço, oferece-me o cú. Tudo pra eu não ver e assim, repetir. Suspirar e morrer, nascer e berrar.

12.7.08

A fonte da descoberta

sorrio não por felicidade,
........................por indecência
sorrio de antemão fechada
.........................pela inocência
perdi tons, minha sanidade
.......................fato conclusivo
perdi quaisquer antecipada
........................sorri inclusivo

12.3.08

As dez mil coisas nascem a partir do existente (e tem nome)
E o que existe nasce do inexistente (e não tem nome).



Tao Teh Ching, capítulo 40

5.12.07

auto-organização
amplificação por flutuações
artificialeza
autoconsistência
autopoiese
auto-semelhança
imprecisão
conectividade
construtivismo
correlação
criticabilidade
dialógica
diversidade
emergência
fluxo
imprevisibilidade
inclusão
metadimensionalidade
onijetividade
paradoxo
aderência
potencialidade

retorno
ressonância
rizomas
virtualidade

2.6.07

Joãozinho olhou para o chão e viu uma coloração púrpura desigual no solo. Notou que esta área cresceu até a forma do seu corpo. Obviamente, Joãozinho deitou-se no local inusitado e olhou para o céu. Então Deus olhou para ele.

Joãozinho levantou-se e foi para casa.

22.5.07

Indiviso

Um ruído! Que som seria aquele? Sim, o interfone. Levanto-me ainda fora da realidade, tentando voltar a ela ou tentando adequá-la a mim. Atendo:

_Quem é?
_ Walter. Uma voz conhecida falou.

Percebendo a familiaridade, abri os portões e fixo à espera.
Campainha.
Deixo-o entrar, recebo um oi sério e desrespeitoso.

_ Olá.
_ Como vai?
_ Vou bem, e você?
_ Bem, assim como sempre, nunca fui.

O estranho senta-se conhecidamente de um modo confortável, ignorando toda bagunça e sujeira.
Acende um cigarro e pergunta ao cachorro. _ Faminto?
Vou à cozinha e alimento o gato.
Ouço um grito surdo, entre a música alta e o som pontual das turbinas.
O grito revela-se uma pergunta. _ O que havia acontecido ontem?

Nem a pergunta, muito menos a resposta são claras.

_ Deixe-me dizer, de um jeito ou de outro, isso não faz diferença agora.
_ O que quer de mim?
_ Não sei, sinceramente não sei o que você esta fazendo aqui.

No espelho assusto-me com a imagem do estranho. De volta na sala, ninguém mais há.

16.5.07

se

QUANTAS VEZES EU JÁ ENCONTREI-a NO
JARDIM A MINHA ESPERA COMO SE NADA
FOSSE COMO JÁ FOI ANTES DE NÓS APENAS
TENTANDO ENTENDER O MUNDO COMO
AINDA PODE SER SEM SABER SE UM DE NÓS
AINDA NÃO DEU A MARTELADA FINAL DO
INÍCIO DE TUDO O QUE JÁ se PASSOU
NAQUELE INSTANTE QUANDO ENCONTREI
VOCÊ A MINHA ESPERA NAQUELE MOMENTO
DE ANTES QUANDO EU FUI EU E VOCÊ ERA
EU SENDO VOCÊ ME FAZER SER QUEM É
OLHANDO PARA LONGE COMO SE NÃO
VISSE PELA FRENTE AQUILO QUE AINDA
VIU HÁ MENOS DE UM SEGUNDO ATRÁS
.