3.5.10
Broken Sun Grove
3.1.10
vento - beta caroteno, polído e esguio - carbono, polietileno.
uma brisa sopra lento - um pedaço de céu que move no intento
de trazer perto o menino que dorme ao relento.
vento.
ela vem e me traz o tormento; cura pro meu mau eu mesmo invento,
é aquela moça que morde este corpo sardento.
vento!
então eu digo, repito e saliento, minha bela, não sou um jumento,
sou homem, menino e por você não lamento.
vento?
leve-a para longe do meu pavimento; contudo, se ela faltar, eu me adoento,
então, qual será a vontade que na verdade ostento?
21.12.09
Fosco desgosto
dela nada irradia
então a faço imaginária
construo fantasia
em seu rosto desenho linhas
uma atrás d'outra em harmonia
ponho em diferente casinhas
para que assim acabe a agonia
mas seu fosco desgosto
um julgar como nenhum outro
retorna dos mortos, a ironia
pr'esta desafinada sinfonia
toda essa euforia, na distância a agonia
do outro lado daquela imensa bacia
ele se perguntava, algo mais haveria?
o quê mais suas largas costas suportaria?
é a falta dela.
fragmentos do mundo que não existe mais
e minha memória falha,
entalha e retalha a vida em fractal.
quase chego a lembrar,
dá-me o um frio na barriga ao ponderar
significa que nao é mais?
ja passou? como é capaz?
Tudo está para trás.
retrato parcial
e parcelando, memorizando
o tempo, aquele que permite, omite, demite e hepatite.
Talvez sejas tu o freguês? Aquele que ama comprar outra vez, do palco agradecem tua preferência e tu pagas com tua paciência.
És tu o gago, que um dia um tanto fúnebre, amaciou os ouvidos com ruídos ou és tu a moça alegre, que riscou os canais com maciez serelepe?
O que muda, sua muda e cresce, ao relento, quase que desatento, na muda o intento, esta não desmerece, apenas floresce.
A brincadeira, no entanto, não espero ser ligeira, portanto, durma em sua banheira, pode enche-la com água de torneira, pois a derradeira sempre acontece.
21.5.09
14.7.08
13.7.08
Conquista
Pensa que é caminho, pensa que é pai do tempo. Pois sim, é pai do tempo, mas caminho não há quando não se chega a lugar algum. Irá me libertar? Pois, Epifania, senhora sua mãe, naquele dia me cochichou, suspirou balbucias de realidade venenosa e de áspera realização. Dentro dos meus poros ouvi e vi, o que de mim escondia: o último suspiro seguido pelo primeiro berro. Agora, impotente, vejo-me arrastando tudo aquilo que já fiz, como um demente, sem ação e nem dentes.
Porém, você, que é louco pela ironia, no seu sofá, assistindo à novela do meu dia, fingi agora ser bom e fiel, amoroso, um mel - o santo e o seu criado. Cobre-me de beijos, lambe o meu pescoço, oferece-me o cú. Tudo pra eu não ver e assim, repetir. Suspirar e morrer, nascer e berrar.
12.7.08
A fonte da descoberta
........................por indecência
sorrio de antemão fechada
.........................pela inocência
perdi tons, minha sanidade
.......................fato conclusivo
perdi quaisquer antecipada
........................sorri inclusivo
12.3.08
5.12.07
auto-organização
amplificação por flutuações
artificialeza
autoconsistência
autopoiese
auto-semelhança
imprecisão
conectividade
construtivismo
correlação
criticabilidade
dialógica
diversidade
emergência
fluxo
imprevisibilidade
inclusão
metadimensionalidade
onijetividade
paradoxo
aderência
potencialidade
retorno
ressonância
rizomas
virtualidade
2.6.07
22.5.07
Indiviso
Um ruído! Que som seria aquele? Sim, o interfone. Levanto-me ainda fora da realidade, tentando voltar a ela ou tentando adequá-la a mim. Atendo:
_Quem é?
_ Walter. Uma voz conhecida falou.
Percebendo a familiaridade, abri os portões e fixo à espera.
Campainha.
Deixo-o entrar, recebo um oi sério e desrespeitoso.
_ Olá.
_ Como vai?
_ Vou bem, e você?
_ Bem, assim como sempre, nunca fui.
O estranho senta-se conhecidamente de um modo confortável, ignorando toda bagunça e sujeira.
Acende um cigarro e pergunta ao cachorro. _ Faminto?
Vou à cozinha e alimento o gato.
Ouço um grito surdo, entre a música alta e o som pontual das turbinas.
O grito revela-se uma pergunta. _ O que havia acontecido ontem?
Nem a pergunta, muito menos a resposta são claras.
_ Deixe-me dizer, de um jeito ou de outro, isso não faz diferença agora.
_ O que quer de mim?
_ Não sei, sinceramente não sei o que você esta fazendo aqui.
No espelho assusto-me com a imagem do estranho. De volta na sala, ninguém mais há.
16.5.07
se
JARDIM A MINHA ESPERA COMO SE NADA
FOSSE COMO JÁ FOI ANTES DE NÓS APENAS
TENTANDO ENTENDER O MUNDO COMO
AINDA PODE SER SEM SABER SE UM DE NÓS
AINDA NÃO DEU A MARTELADA FINAL DO
INÍCIO DE TUDO O QUE JÁ se PASSOU
NAQUELE INSTANTE QUANDO ENCONTREI
VOCÊ A MINHA ESPERA NAQUELE MOMENTO
DE ANTES QUANDO EU FUI EU E VOCÊ ERA
EU SENDO VOCÊ ME FAZER SER QUEM É
OLHANDO PARA LONGE COMO SE NÃO
VISSE PELA FRENTE AQUILO QUE AINDA
VIU HÁ MENOS DE UM SEGUNDO ATRÁS
.
